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Mulher trans mantida em presídio masculino consegue prisão domiciliar após não ser transferida para unidade feminina no PI

Cela em presídio no Piauí Sejus Uma mulher transexual conseguiu o direito à prisão domiciliar após não ser transferida para uma unidade feminina e ser man...

Mulher trans mantida em presídio masculino consegue prisão domiciliar após não ser transferida para unidade feminina no PI
Mulher trans mantida em presídio masculino consegue prisão domiciliar após não ser transferida para unidade feminina no PI (Foto: Reprodução)

Cela em presídio no Piauí Sejus Uma mulher transexual conseguiu o direito à prisão domiciliar após não ser transferida para uma unidade feminina e ser mantida em presídios masculinos no Piauí. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), que concedeu o habeas corpus na terça-feira (23). ⚖️ Habeas corpus é um direito previsto na Constituição que protege a liberdade de ir e vir. Ele é usado em casos de prisão ilegal ou abuso de poder. A medida pode ser preventiva, quando busca evitar uma prisão injusta, ou repressiva (liberatória), quando serve para soltar quem já está preso de forma ilegal. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Na decisão, a 1ª Câmara Especializada Criminal considerou o direito à identidade de gênero. O tribunal também entendeu que a situação violava garantias fundamentais, principalmente a integridade física e psicológica da detenta. Segundo o acórdão, a mulher foi levada primeiro para a Penitenciária de Bom Jesus. Depois, foi transferida para a Penitenciária Regional Irmão Guido, em Teresina, ambas unidades masculinas. Agora no g1 A Secretaria de Justiça do Estado (Sejus) informou que não tem estrutura para receber a mulher em uma unidade feminina. Segundo o órgão, a Penitenciária Feminina de Teresina está superlotada e não tem espaço nem equipe suficientes para garantir a segurança de uma mulher trans entre as demais presas. Apesar da posição da Sejus, os desembargadores entenderam que manter a mulher em unidade masculina é ilegal. Segundo o tribunal, a situação expõe a investigada a riscos de violência, abuso e sofrimento psicológico. Diante da falta de estrutura no sistema prisional, os magistrados consideraram necessária a medida. Com a decisão, a 1ª Câmara Especializada determinou a substituição da prisão em regime fechado por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico por 180 dias. Mulher já havia obtido decisão para ir a presídio feminino A mulher conseguiu, em setembro de 2025, uma decisão liminar para ser transferida para um presídio feminino. A medida suspendeu uma decisão anterior que determinava o envio dela para uma penitenciária masculina em Bom Jesus. Ela estava presa havia dois dias na Delegacia de Curimatá quando obteve a decisão favorável. O desembargador Sebastião Ribeiro Martins considerou a Resolução 348 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e decisões recentes de tribunais superiores. Essas normas garantem a pessoas trans e travestis o direito de escolher onde cumprir pena. O magistrado afirmou que a aparência física da presa, considerada feminina, aumenta o risco de ela sofrer abusos, discriminação e violência em uma unidade masculina. "É ilegal a manutenção da paciente [a presa] em estabelecimento prisional masculino, contrariamente à sua manifestação de vontade", declarou. Segundo o magistrado, a mulher disse que queria cumprir pena em uma unidade feminina, mas o pedido foi ignorado na audiência de custódia, realizada no dia seguinte à prisão. Na ocasião, o juiz Robson Ribeiro de Sousa, da Vara Única da Comarca de Avelino Lopes, determinou que ela permanecesse em unidade masculina. Investigada por homicídio A mulher, natural de Tocantins, foi presa em 1º de setembro de 2025, em Curimatá. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em 2021, por homicídio qualificado cometido em 2019. Na época, o defensor público Vitor de Oliveira Gonçalves Guerra afirmou ao g1 que o caso ainda estava em investigação e que não havia condenação, nem em 1ª instância. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube